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oração, faça-a, pois foi condenada e vai morrer.   
   Ao ouvir estas palavras que não lhe permitiam nenhuma esperança, Milady ergueu-se o mais que pôde, quis falar, mas não teve forças, sentiu que uma mão poderosa e implacável a agarrava pelos cabelos e a arrastava tão irrevogavelmente como a fatalidade arrasta o homem, nem sequer tentou oferecer resistência, e saiu da choupana.   
   Lorde de Winter, D’Artagnan, Athos, Porthos e Aramis saíram atrás dela. Os criados seguiram os seus amos, e a sala ficou solitária com a sua janela partida, a sua porta aberta e o seu candeeiro enegrecido que ardia tristemente em cima da mesa.   

   A EXECUÇÃO   

   Era quase meia-noite, a Lua, afilada em minguante e ensanguentada pelos últimos vestígios da tempestade, despontava atrás da pequena cidade de Armentières, que destacava na sua claridade lívida a silhueta escura das suascasas e o esqueleto do seu alto campanário recortado a contra luz. À frente, o Lys rolava as suas águas semelhantes a um rio de estanho fundido, enquanto na outra margem se via a massa negra das árvores perfilar-se em um céu tempestuoso invadido por grandes nuvens acobreadas que formavam uma espécie decrepúsculo no seio da noite. À esquerda erguia-se um velho moinho abandonado, de asas imóveis, nas ruínas do qual uma coruja fazia ouvir o seu grito agudo, periódico e monótono. Aqui e ali na planície, à direita e à esquerda do caminho que o lúgubre cortejo seguia, surgiam algumas árvores baixas e entroncadas que pareciam anões disformes acocorados à espreita dos homens àquela hora sinistra.   
   De tempos em tempos, um grande relâmpago rasgava o horizonte de ponta a ponta, serpenteava por sobre a massa negra das árvores e vinha cortar o céu e a água em duas partes como uma horrível cimitarra. Nem uma aragem passava na atmosfera pesada. Um silêncio de morte esmagava toda a

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