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   SUA MAJESTADE O REI LUÍS XIII   

   O caso deu muito que falar. O Sr. de Tréville ralhou muito e gritou com os mosqueteiros e felicitou-os em voz baixa, mas como não havia tempo a perder para prevenir o rei, o Sr. de Tréville apressou-se a ir ao Louvre. Mas já era tarde, o rei estava fechado com o cardeal e disseram ao Sr. de Tréville que trabalhava e não podia receber naquele momento. À noite, o Sr. de Tréville compareceu no jogo do rei. O rei ganhava, e como Sua Majestade era muito avaro estava de excelente humor, por isso, assim que o rei viu Tréville de longe, chamou-o:   
    - Venha aqui, Sr. Capitão, venha que quero chamar sua atenação. Sabe que Sua Eminência veio se queixar dos seus mosqueteiros, e com tal emoção que esta noite Sua Eminência está doente? Sim, senhor, são endiabrados, gente digna da forca, os seus mosqueteiros!    - Não, Sire - respondeu Tréville, que viu num relance de olhos como a coisa ia acabar. - Não, muito pelo contrário, são boas criaturas, mansos como cordeiros e que só desejam uma coisa, garanto-lhe, que a sua espada só saia da bainha em serviço de Vossa Majestade. Mas, que querem, os guardas do Sr. Cardeal estão constantemente a desafiá-los e, por honra da própria corporação, os pobres rapazes são obrigados a defender-se.    - Escute o Sr. de Tréville, escute-o! - atalhou o rei. – Diria-se que fala de uma comunidade religiosa! Na verdade, meu caro capitão, sinto vontade de lhe tirar a sua patente e de dá-la a Mlle de Chemerault, a quem prometi uma abadia. Mas não pense que acreditarei assim sob palavra. Chamam-me Luís, o Justo, Sr. de Tréville, e daqui a pouco, daqui a pouco veremos.
   - É por confiar nessa justiça, Sire, que esperarei paciente e tranquilamente a decisão de Vossa Majestade.   
   - Espere, senhor, espere - disse o rei -, que não o farei esperar muito.   

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