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   Neste momento ouviu-se no corredor uma gargalhada irônica. O barão, atraído pelo barulho, de roupão, a espada debaixo do braço, estava de pé no limiar da porta.   
    - Ah! Ah! - disse ele. - Eis-nos no último ato da tragédia; está vendo, Felton, a dama seguiu todas as fases que eu tinha indicado, mas fique tranquilo que o sangue não correrá.    Milady compreendeu que estava perdida se não desse a Felton uma prova imediata e terrível da sua coragem.    - Está enganado, Milorde, o sangue correrá, e que este sangue possa cair sobre os que o fazem correr!    Felton deu um grito e precipitou-se sobre ela, era tarde demais, Milady tinha se ferido. Mas felizmente, ou melhor, habilmente, a faca tinha encontrado a vara de ferro que naquela época defendia como uma couraça o peito das mulheres; escorregara, rasgando o vestido, e penetrara obliquamente entre a carne e as costelas. Mas, num segundo, o vestido de Milady ficou manchado de sangue. Milady caíra para trás e parecia desmaiada. Felton arrancou a faca.    - Veja, Milorde - disse ele com ar sombrio -, eis uma mulher que se matou sob a minha guarda!    - Calma, Felton - disse lorde de Winter -, ela não está morta, os demônios não morrem assim tão facilmente, acalme-se e vá me esperar nos meus aposentos.    - Mas, Milorde...    - Vá, é uma ordem.   
   Felton obedeceu a esta ordem do seu superior, mas, ao sair, meteu a faca no peito. Quanto a lorde de Winter, contentou-se em chamar a mulher que servia Milady e, quando esta veio, recomendou-lhe a prisioneira, que continuava desmaiada, e deixou-a sozinha com ela.   
   Contudo, como apesar das suspeitas, o ferimento podia ser grave, enviou nesse mesmo instante um homem a buscar um médico.   

   EVASÃO   

   Como lorde de Winter pensara, o ferimento de Milady não era grave e,

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