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Romeno
Para Diante
tecida com lenços de cambraia rasgados em tiras entrelaçadas umas nas outras e presas nas pontas, ao ruído que Felton produziu abrindo a porta, Milady saltou com ligeireza da poltrona e tentou esconder nas costas a corda improvisada que tinha na mão.
O jovem estava mais pálido que de costume, e os seus olhos vermelhos de insônia indicavam que havia passado uma noite febril. Contudo, a sua fronte revelava uma severidade mais austera que nunca. Avançou lentamente para Milady, que havia se sentado e, pegando uma ponta da trança mortífera que ela deixara passar por descuido ou talvez de propósito:
- Que é isto, minha senhora? - perguntou friamente.
- Não é nada - disse Milady, sorrindo com aquela expressão dolorosa que tão bem sabia dar ao seu sorriso -, o tédio é o inimigo mortal dos prisioneiros, eu estava aborrecida e me entretive fazendo esta corda.
Felton dirigiu os olhos para o ponto da parede do quarto diante do qual encontrara Milady em cima da poltrona em que agora estava sentada, e por cima da cabeça dela viu um grampo dourado, cravado na parede, e que servia para pendurar tanto roupas como armas. Estremeceu, e a prisioneira viu este estremecimento, pois embora tivesse os olhos baixos, nada lhe escapava.
- E que fazia em cima dessa poltrona? - perguntou ele. - Que importa? - respondeu Milady. - Mas - replicou Felton -, desejo saber.
- Não me interrogue - disse a prisioneira - você sabe que nós, verdadeiros cristãos, estamos proibidos de mentir. - Pois bem! - disse Felton. - Vou dizer o que fazia, ou melhor, o que ia fazer, ia concluir a obra fatal que alimenta no seu espírito. Pense, minha senhora, se nosso Deus proíbe a mentira, proibe ainda mais severamente o suicídio.
- Quando Deus vê uma das suas criaturas perseguida injustamente,