Índice   [800x750]    Sobre


   1. Afãs o dia da libertação/Virá para nós, Deus justo e forte;/E se ele enganar a nossa esperança,/Resta-nos sempre o martírio e a morte. (N. da T.)   
   Era preciso ainda mais: era preciso fazê-lo falar, a fim de lhe falar também, pois Milady bem sabia que a sua maior sedução era a voz, que percorria tão habilmente toda a gama dos tons, desde a palavra humana até à linguagem celeste.   
   E contudo, apesar de toda esta sedução, Milady podia fracassar, pois Felton estava prevenido contra o mínimo acaso. A partir daí, vigiou todas as suas ações, todas as suas palavras, até ao mais simples relance dos seus olhos, até ao seu gesto, até à sua respiração, que podia ser interpretada como um suspiro. Enfim, estudou tudo, como um hábil comediante a quem acabam de conceder um novo papel que não está habituado a desempenhar.   
   Em relação a lorde de Winter, o seu comportamento era mais fácil, deste modo, havia decidido desde a véspera. Permanecer muda e digna   na sua presença, de vez em quando irritá-lo com um desdém fingido, com uma palavra de desprezo, levá-lo a ameaças e violências que contrastassem com a sua resignação, tal era o seu projeto. Felton veria, talvez não dissesse nada, mas veria.   
   De manhã, Felton veio como de costume, mas Milady deixou-o presidir a todos os preparativos do almoço sem lhe dirigir a palavra. No momento em que ele ia retirar-se, teve um lampejo de esperança, pois julgou que era ele que ia falar, mas os seus lábios mexeram-se sem produzirem nenhum som e, fazendo um esforço, fechou no coração as palavras que iam escapar-se dos seus lábios, e saiu. Cerca do meio-dia lorde de Winter entrou.   
   Era um bonito dia de Inverno, e um raio do pálido sol de Inglaterra que ilumina mas não aquece passava através das grades da prisão. Milady olhava

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