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Romeno
Para Diante
escrevendo.
O porteiro introduziu-o e retirou-se sem dizer palavra. D’Artagnan julgou ao princípio estar perante algum juiz que examinasse o seu processo, mas verificou que o homem da secretária escrevia, ou antes, corrigia linhas de comprimento desigual, medindo as palavras pelos dedos, e concluiu que estava na presença de um poeta. Ao cabo de um instante o poeta fechou o seu manuscrito, na capa do qual estava escrito: «MIRAME, tragédia em cinco atos», e levantou a cabeça.
D’Artagnan reconheceu o cardeal.
O CARDEAL
O cardeal apoiou o cotovelo no manuscrito, a face na mão e olhou um instante o jovem. Ninguém possuía olhar mais perscrutador do que o cardeal de Richelieu, e D’Artagnan sentiu esse olhar percorrer-lhe as veias como uma febre. No entanto, permaneceu impávido, de chapéu na mão, à espera das ordens de Sua Eminência, sem orgulho, mas também sem excessiva humildade.
- Senhor, é um dos D’Artagnans do Béarn? - perguntou-lhe o cardeal. - Sou, sim, Monsenhor - respondeu o jovem.
-Há vários ramos de D’Artagnans, em Tarbes e nos arredores - disse o cardeal. - A qual pertence?
- Sou filho daquele que fez as guerras de religião com o grande rei Henrique, pai de Sua Graciosa Majestade. - Exato. Foi você que partiu, há cerca de sete ou oito meses, da sua terra, para vir procurar fortuna na capital?
-Fui, sim, Monsenhor.
-Veio por Meung, onde aconteceu qualquer coisa, já me não lembro o quê, mas enfim, qualquer coisa...
- Monsenhor, eis o que me aconteceu... - começou D’Artagnan.
- É inútil, é inútil - atalhou o cardeal, com um sorriso que indicava