Índice   [800x750]    Sobre


até ali uma e a mesma pessoa e que, portanto não podia comprometer-se, sob pena de suicídio, a matar Wardes. Mas também o espicaçava um feroz desejo de vingança que o levava a desejar possuir aquela mulher sob o seu próprio nome e como tal vingança lhe parecia conter certa doçura, não queria de modo algum renunciar a ela. Deu cinco ou seis vezes a volta à Praça Royale, virando-se de dez em dez passos para olhar a luz dos aposentos de Milady, que se distinguia através das gelosias. Era evidente que daquela vez a jovem tinha menos pressa do que da primeira em se recolher ao seu quarto. Por fim a luz desapareceu.   
   E com ela extinguiu-se a última incerteza no coração de D’Artagnan. Recordou-se dos pormenores da primeira noite e, com o coração aos pulos e a cabeça em fogo, voltou a entrar no palácio e precipitou-se para o quarto de Ketty. A jovem pálida como a morte e tremendo como vara verde, quis deter o amante, mas Milady, de ouvido atento, ouvira o barulho que fizera D’Artagnan e abriu a porta.   
   - Venha - disse.   
   Tudo aquilo era de tão incrível impudência, de tão monstruoso descaramento, que D’Artagnan mal podia acreditar no que via e ouvia. Julgava-se envolvido em qualquer dessas intrigas fantásticas que só acontecem em sonhos.   
   Mas nem por isso correu menos para Milady, cedendo à atração que o imã exerce sobre o ferro. A porta fechou-se atrás deles. Ketty lançou-se por seu turno contra a porta.   
   O ciúme, o furor, o orgulho ofendido, todas as paixões, enfim, que assaltam   
   o coração de uma mulher apaixonada a impeliam para uma revelação, mas estaria perdida se confessasse ter contribuído para semelhante maquinação e, sobretudo D’Artagnan estaria perdido para ela. Este último pensamento

Capítulo disponível em: Inglês Francês Espanhol Italiano Romeno Para Diante