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Romeno
Para Diante
O coração da melhor das mulheres é implacável para com os sofrimentos de uma rival.
Milady abriu a carta com uma pressa igual à que Ketty pusera em trazer-la, mas à primeira palavra que leu pôs-se lívida. Depois amarrotou o papel, em seguida virou-se para Ketty com os olhos relampejando.
-Que carta é esta? - perguntou.
- Mas... é a resposta à da senhora - respondeu Ketty, toda trémula. - Impossível! - gritou Milady. -É impossível que um gentil-homem tenha
escrito a uma mulher semelhante carta! Depois, de súbito, estremecendo:
- Meu Deus, terá acontecido de... E deteve-se.
Rangia os dentes e estava cor de cinza. Quis dar um passo para a janela, a fim de tomar ar, mas só conseguiu estender os braços, as pernas faltaram-lhe e caiu num cadeirão.
Ketty julgou que se sentisse mal e precipitou-se para lhe desapertar o corpete. Mas Milady endireitou-se vivamente.
- Que quer? - perguntou. -Por que me toca?
- Pensei que a senhora estivesse indisposta e quis socorrê-la - respondeu a criada, assustadíssima com a expressão terrível que adquirira o rosto da ama.
- Indisposta eu, eu? Acha que sou uma mulherzinha fraca? Quando me
insultam, não fico indisposta, me vingo, entendeu? E fez sinal com a mão a Ketty para sair.
SONHO DE VINGANÇA
À noite, Milady deu ordem para introduzirem o Sr. D’Artagnan assim que chegasse, conforme o seu hábito. Mas ele não veio.
No dia seguinte, Ketty procurou de novo o jovem e contou-lhe tudo o que se passara na véspera. D’Artagnan sorriu: a cólera ciumenta de Milady era a sua vingança.