Índice   [800x750]    Sobre


Crisóstomo, calcando sem cerimônia as folhas da tese que tinham caído para o chão. Neste momento entrou Bazin com os espinafres e o omelete.    - Foge, desgraçado! - gritou Aramis, atirando-lhe o solidéu à cara. - Volte pelo mesmo caminho e leve esses horríveis legumes e esse detestável omelete! Peça uma lebre recheada, um capão gordo, uma perna de cabrito assada e quatro garrafas de borgonha velho.    Bazin, que olhava o amo e não compreendia nada daquela mudança, deixou cair melancolicamente o omelete nos espinafres e os espinafres no chão.    - Chegou o momento de consagrar a sua existência ao Rei dos Reis - disse D’Artagnan -, se quer fazer-lhe uma gentileza: Non inutíle desiderium in oblatione.    - Vá para o Diabo com o seu latim! Meu caro D’Artagnan, bebamos, com a breca, bebamos muito, e conte-me um pouco do que tem acontecido em Paris.   

   A MULHER DE ATHOS   

   - Agora só falta saber notícias de Athos - disse D’Artagnan ao fogoso Aramis, depois de colocá-lo ao corrente do que se passara na capital desde a sua partida e de um excelente jantar os ter feito esquecer a um a sua tese a outro a sua fadiga.   
   - Acha que terá lhe acontecido algum contratempo? - perguntou Aramis. - Athos é tão frio, tão bravo e maneja tão habilmente a espada.   
   -Sim, sem dúvida, e ninguém conhece melhor do que eu a coragem e a perícia de Athos, mas prefiro cruzar a minha espada com lanças em vez de com paus. Temo que Athos tenha sido espancado pela criadagem, os criados sãogente que bate forte e não desiste fácil. É por isso, confesso, que gostaria de voltar a partir o mais rápido possível.   
    - Procurarei acompanhá-lo - disse Aramis -, embora me não sinta muito em estado de montar a cavalo. Ontem experimentei a disciplina que vê naquela parede e a dor impediu-me de continuar tão piedoso exercício.    - Também, meu caro amigo, nunca vi tentar curar um tiro de escopeta com

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