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   A TESE DE ARAMIS   

   D’Artagnan nada dissera a Porthos acerca do seu ferimento e da sua alcoviteira. Era um rapaz muito sensato, o nosso bearnês, apesar de jovem. Consequentemente, fingira acreditar em tudo o que lhe contara o presunçoso mosqueteiro, convencido de que não há amizade que resista a um segredo descoberto, sobretudo quando esse segredo está relacionado com o orgulho, depois, tem se sempre certa superioridade moral sobre aqueles de quem se conhece a vida.   
   Ora, nos seus projetos de intriga futura e decidido como estava a fazer dos seus três companheiros os instrumentos da sua fortuna, D’Artagnan não se importaria nada de reunir antecipadamente nas mãos os fios invisíveis com o auxílio dos quais contava manobrá-los.   
   No entanto, enquanto seguia ao longo da estrada uma profunda tristeza apertava-lhe o coração, pensava na jovem e bonita Sra Bonacieux, que deveria recompensá-lo da sua dedicação mas, apressamo-nos a dizê-lo, a sua tristeza devia-se menos ao pesar da sua aventura perdida do que ao receio que experimentava em que acontecesse alguma desgraça à pobre mulher. Para si, não havia dúvida, ela era vítima de uma vingança do cardeal, e como se sabe as vinganças de Sua Eminência eram terríveis. Como tivera desculpa aos olhos do ministro, eis o que ele próprio ignorava e o que sem dúvida lhe teria revelado o Sr. de Cavois se o capitão dos guardas o tivesse encontrado em casa.   
   Não há nada que faça passar o tempo e abrevie uma viagem como um pensamento que absorve em si mesmo todas as faculdades daquele que pensa. A existência exterior assemelha-se então a um sono de que esse pensamento é o sonho. Graças à sua influência, o tempo deixa de ter medida e o espaço distância. Parte-se para um lugar e chega-se em outro, mais nada. Do intervalo percorrido nada resta presente na memória, exceto uma vaga

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