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outras vozes, primeiro devido a uma leve pronúncia estrangeira, depois graças a esse tom de domínio naturalmente impresso em todas as palavras soberanas. Ouviu-a aproximar-se e afastar-se da porta entreaberta, e duas ou três vezes viu mesmo a sombra de um corpo interceptar a luz.   
   Por fim, de repente, uma mão e um braço adoráveis de forma e brancura passaram através do reposteiro. D’Artagnan adivinhou que era a sua recompensa, caiu de joelhos, pegou naquela mão e beijou-a respeitosamente, depois a mão retirou-se, deixando nas suas um objeto que reconheceu ser um anel. A porta fechou-se imediatamente e D’Artagnan encontrou-se na mais completa escuridão.   
   D’Artagnan meteu o anel no dedo e esperou de novo, era evidente que nem tudo terminara ainda. Depois da recompensa da sua dedicação viria a recompensa do seu amor. Aliás, o bailado terminara, mas a festa ainda mal começara. Ceava-se às três horas e o relógio de Saint-Jean havia já algum tempo que dera duas horas e três quartos.   
   Com efeito, pouco a pouco o barulho das vozes diminuiu no gabinete vizinho, depois afastaram-se, por fim a porta do gabinete onde estava D’Artagnan voltou a abrir-se e a Sra Bonacieux entrou.   
   -Você, finalmente! - exclamou D’Artagnan.   
   - Silêncio! - recomendou-lhe a jovem, colocando a mão nos lábios de D’Artagnan. - Silêncio e vá por onde veio!   
    - Mas onde e quando tornarei a vê-la? - perguntou D’Artagnan.    - Um bilhete que encontrará em casa lhe dirá. Vá, vá!   
   E ditas estas palavras a jovem abriu a porta do corredor e empurrou D’Artagnan para fora do gabinete. D’Artagnan obedeceu como uma criança, sem resistência e sem qualquer objeção, o que prova que estava realmente apaixonado.   

   O ENCONTRO   


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