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guarda!    - Porthos - disse Aramis -, Athos já o preveniu que era um tolo e eu sou da mesma opinião. D’Artagnan, é um grande homem, e quando estiver no lugar do Sr. de Tréville pedirei a sua proteção para me darem uma abadia.    - Agora é que não entendo nada - observou Porthos. -Aprovam o que D’Artagnan acaba de fazer?    - Meu Deus, sem dúvida nenhuma! - respondeu Athos. - E não só aprovo o que acaba de fazer como ainda o felicito.    - E agora, meus senhores - disse D’Artagnan, sem se dar ao incômodo de explicar o seu comportamento a Porthos -, todos por um e um por todos, é a nossa divisa, não é verdade?   
   -Mas... - começou Porthos.   
   - Estenda a mão e jure! - gritaram ao mesmo tempo Athos e Aramis.   
   Vencido pelo exemplo, mas resmungando entre dentes, Porthos estendeu a mão e os quatro amigos repetiram em uníssono a fórmula ditada por D’Artagnan: “Todos por um e um por todos.”   
   -E agora, retire-se cada um para sua casa - disse D’Artagnan, como se nunca tivesse feito outra coisa toda a vida senão comandar. - Mas cuidado, porque a partir deste momento estamos em guerra com o cardeal.   

   UMA RATOEIRA DO SÉCULO XVII   

   A invenção da ratoeira não data dos nossos dias, desde que as sociedades se formaram e inventaram um polícia de qualquer espécie, essa polícia inventou por seu turno a ratoeira.   
   Como os nossos leitores talvez não estejam ainda familiarizados com o vocabulário da Rua de Jerusalém, e como desde que escrevemos - já lá vão cerca de quinze anos - é a primeira vez que empregamos esta palavra neste sentido, expliquemos então o que é uma ratoeira.   
   Quando em uma casa, qualquer que ela seja, se prende um indivíduo suspeito de um crime de qualquer natureza, conserva-se a prisão secreta, colocam-se quatro ou cinco homens emboscados na primeira divisão, abre-se

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